A micose nas unhas — chamada clinicamente de onicomicose — afeta entre 10% e 12% da população adulta brasileira e é a infecção ungueal mais comum. Apesar de frequente, ela tem fama de ser difícil de tratar. E tem motivo: sem a abordagem correta, o tratamento leva mais de um ano e a taxa de recidiva é alta.
O que é onicomicose?
É a infecção fúngica da lâmina ungueal (a placa da unha) e/ou do leito ungueal (a pele sob a unha). Os fungos responsáveis são, na maioria dos casos, dermatófitos do gênero Trichophyton — especialmente T. rubrum e T. mentagrophytes. Em menor proporção, leveduras (Candida) e fungos não-dermatófitos também estão envolvidos.
As unhas dos pés são muito mais afetadas que as das mãos, especialmente o hálux (dedão), por ficarem em ambiente quente, úmido e fechado por horas dentro do calçado.
Como reconhecer a micose nas unhas
Os sinais clássicos aparecem progressivamente:
- Descoloração: a unha fica amarelada, esbranquiçada, marrom ou esverdeada
- Espessamento: a lâmina engrossa, fica difícil de cortar
- Friabilidade: a unha se esfacela, quebra em pedaços com facilidade
- Onicólise: a lâmina se separa do leito, criando uma "bolsa" branca ou amarela pela borda livre
- Hiperqueratose subungueal: acúmulo de material queratinoso esbranquiçado sob a unha
- Distorção: a unha perde sua forma natural
Nem todos os sinais aparecem juntos. Nos estágios iniciais, a única alteração pode ser uma pequena mancha branca ou amarela na borda da unha.
Fatores de risco
Quem está mais sujeito a desenvolver onicomicose:
- Pessoas que frequentam piscinas, vestiários e academias descalças
- Atletas (especialmente corredores e praticantes de esportes de quadra)
- Diabéticos e imunossuprimidos
- Idosos (redução da circulação periférica, unhas mais frágeis)
- Quem usa calçados fechados por muitas horas sem meias adequadas
- Pessoas com hiperidrose (suor excessivo nos pés)
- Quem já teve pé-de-atleta (tinea pedis) — a micose da pele frequentemente migra para as unhas
Por que o tratamento isolado com antifúngico demora tanto?
O grande obstáculo é físico: a lâmina ungueal é uma barreira densa de queratina. Os antifúngicos tópicos têm dificuldade em penetrar a espessura da unha comprometida e alcançar o foco fúngico no leito ungueal. Já os antifúngicos sistêmicos (orais) chegam pelo fluxo sanguíneo, mas a vascularização do leito ungueal é limitada — e a taxa de crescimento da unha do hálux é de apenas 1–1,5 mm/mês.
Resultado: para a unha crescer nova e saudável do início ao fim, leva 12–18 meses. Todo esse período exige medicação contínua.
Como o tratamento podológico acelera a cura
É aqui que a podologia faz a diferença fundamental. O protocolo profissional inclui:
1. Desbridamento mecânico
O podólogo remove fisicamente o material queratinoso espessado, a lâmina comprometida e o tecido infectado. Com uma superfície limpa e fina, os antifúngicos tópicos passam a ter acesso direto ao leito — reduzindo dramaticamente o tempo de tratamento.
2. Antifúngicos tópicos de alta penetração
Após o desbridamento, são aplicados antifúngicos em esmalte ou solução (amorolfina, ciclopirox, tavaborol). Sem a barreira da queratina morta, a penetração e eficácia são muito superiores.
3. Fototerapia com laser (quando disponível)
O laser Nd:YAG aquece seletivamente o leito ungueal a temperaturas letais para o fungo sem lesar o tecido. Pode ser associado ao tratamento tópico para resultados mais rápidos.
4. Orientação sobre antifúngico sistêmico
Em casos extensos, o podólogo indica encaminhamento ao dermatologista para prescrição de terbinafina ou itraconazol oral. A combinação de tratamento tópico podológico + sistêmico é a abordagem mais eficaz disponível.
5. Controle do ambiente e prevenção de reinfecção
Orientações sobre desinfecção de calçados, meias, tapetes de banheiro e objetos de manicure — passo fundamental para evitar recidivas.
Resultados esperados com tratamento completo
- 1–2 meses: redução do desconforto, aspecto da unha começa a mudar
- 3–4 meses: crescimento de região proximal saudável visível
- 6 meses: melhora estética significativa na maioria dos casos
- 12 meses: cura completa na maioria dos pacientes com adesão ao tratamento
Prevenção da micose nas unhas
- Use chinelos em vestiários, piscinas e academias
- Seque bem os pés, especialmente entre os dedos, após o banho
- Use meias de algodão ou lã (evite sintéticos) e troque-as diariamente
- Prefira calçados com boa ventilação — alterne pares para permitir secagem
- Nunca compartilhe objetos de manicure/pedicure
- Trate imediatamente qualquer infecção fúngica na pele dos pés
- Corte as unhas reto e não deixe muito curtas (facilita entrada de fungos)
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Agendar pelo WhatsAppPerguntas Frequentes
Com tratamento podológico + antifúngico, a melhora visível ocorre em 3–6 meses. A cura micológica completa (confirmada em laboratório) leva 6–12 meses, dependendo do grau de comprometimento. Sem desbridamento profissional, o prazo seria de 12–18 meses.
Sim, e é prejudicial. O esmalte convencional fecha a superfície da unha, impedindo a evaporação de umidade e criando ambiente ideal para o fungo. Durante o tratamento é fundamental não usar esmalte comum. Existem esmaltes antifúngicos específicos que podem ser usados com orientação do podólogo.
Não. A onicomicose raramente se resolve sem tratamento. Com o tempo, o fungo compromete toda a lâmina ungueal e pode se espalhar para outras unhas e para a pele (tinea pedis). O tratamento precoce é sempre mais rápido e eficaz.